Emoção na Avenida

A parada da diversidade de Florianópolis passou. Alívio para alguns, realização para outros. O importante é que a comunidade GLBTS compareceu em peso para a grande festa. Regada a alegria e cores do arco-íris, mas também a uma forte reivindicação: amar é direito de todos. Com certeza. Nascemos para amar e alguns até morrem para isso.
Depois de décadas, para não falar em séculos, de opressão, assassinatos em nome da pureza social, a segunda parada teve uma imagem que levarei para sempre comigo. Abençoada por um sol digno de cartão-postal, a avenida Beira-Mar repleta de cores onde a banda da Polícia Militar (antes símbolo de opressão aos gays como todo o Estado) abriu o evento com o Hino Nacional cantado por Valeria Houston, uma drag com uma voz digna do sobrenome.
Segui como, todos os outros participantes, rumo ao trapiche, no caminho, toda uma sorte de pessoas na calçada e no canteiro central da avenida para ver a parada passar. Gente de todos os sexos, cores, idades e status social. Desde o pobre ás nobres senhoras com seus cãezinhos a tira colo. Crianças com os adereços coloridos, símbolos gays, divertiam-se ao som das músicas dos trios. Uma mistura de pedir licença para passar com venha comigo.
Na metade do trajeto, um por-do-sol espetacular, como se Deus estivesse dizendo naquele exato momento: Filhos, estou ouvindo vocês! Também quero colorir. E coloriu com um céu laranja e, no fim, quase rosa, o inicio da noite. Acho que foi neste momento que parei de pensar se estava vivenciando a um ideal retrógrado americano para me entregar e aproveitar a festa.
Na vida é bom ter essas datas que podemos nos situar. Elas representam tudo o que foi feito e o que se precisa fazer. Dignidade, respeito, amor, direitos, são princípios que devemos lutar todos os dias e tomar muito cuidado para mante-los. É preciso consciência, moral e, acima de tudo (como sempre acredito e escrevo): humanidade.
Grande abraço e até a próxima!
Dr. D!
Escrito por Danilo às 00h51
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O coração. Um músculo involuntário que pulsa e trai a mente e a razão. Engraçado como sentimentos simplesmente afloram do nada e a doce lembrança daquele esquecido beijo toma conta de nossa alma. Sem nem ao mesmo pedir licença.
Será um amor platônico ou o desejo do que não foi feito, do não dito, da falta de coragem ou do medo de se entregar e machucar-se talvez novamente? Mas qual é o alpinista que nunca se machucou na escalada da vida? Não ter feridas compensa mais que as cicatrizes?
Perguntas. Será uma observação excessiva pelos detalhes do cotidiano ou uma sã loucura que não me deixa dormir em paz? Por que não é mais fácil simplesmente deletar as pessoas que desejamos da nossa cabeça? Por que esquecer as vezes é difícil? Por que o coração não dá uma trégua a nossa razão?
Seres humanos. Complicados mas tão singelos e únicos em seus desejos. Ser feliz é tão fácil mas sempre encontramos pessoas que complicam demais. Desconfiam demais, sufocam demais, fogem demais, traem demais.
Vivemos num mundo onde todos os dias nos chega milhares de informações e a maioria delas nos ensina que é melhor não confiar nas pessoas. Mas isso não nos leva justamente a solidão?
Não. Nosso coração não nasceu para viver a solidão. Por isso vejo seres que movem com medo dela. É estranho pensar que alguém é movido pela solidão, sabendo que é melhor e mais gratificante mover-se pelo o amor. Ainda que estranho, igual, surpreendente, comum, presente ou distante.
Amem muito e até a próxima.
Dr.D.
Fotos: Banco de imagens do Google.
Escrito por Danilo às 23h38
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Chuvas da Vida

Sempre pensei que a vida é feito de vários recomeços. Aprendi que estava errado. A vida na realidade é feita de um único evoluir. Recomeçar, colocar um ponto final, partir para outra e todas as outras frases que exprimem a necessidade desse recomeço, na realidade, exemplificam unicamente os processos necessários a nossa evolução. Nossas dificuldades são apenas lições que devemos aprender e o melhor, claro, é ser um bom estudante. Do contrário deveremos refazê-las.
Nossas escolhas nem sempre são as melhores e as conseqüências que teremos nem sempre são as que desejamos, mas são necessárias. Não podemos ter tudo o que queremos. A escolha pela nossa profissão pode acarretar em abrir mão dos amigos que fazem parte de nossa vida há mais de dez anos. E é quando eles passam por uma barra pesada onde a única coisa que você poderia oferecer é seu abraço, o questionamento é inevitável.
Sentir-se impotente é uma emoção tão valiosa quanto sentir-se feliz. Todas fazem parte da nossa condição humana, apesar de preferirmos sempre as boas. Mas como tirar lições das dores que surgem inesperadamente e que são inevitáveis? Deus nessa hora é uma fuga ou um remédio? Uma fraqueza diante da impossibilidade de encararmos friamente a situação ou uma fortaleza que podemos nos apoiar e passar pelos menos mais reconfortados por essas situações?
Mas a vida nos mostra que é necessário transcender as barreiras da matéria, do corpo, para que pelo menos em pensamento possamos estar com alguém querido. Acender uma vela, rezar um Pai-Nosso ou um Mantra Budico vale tanto quanto um abraço. Acreditar que esse momento difícil, esse momento em que o riso é algo impensável, vai passar e que tudo isso fará apensa parte do seu currículo e que fará você mais forte e mais humano é fundamental.
Por que essa é uma verdade de nossa vida. Esses dias nublados passaram e as lágrimas que caíram do rosto como chuva serviram para adubar a terra agora pronta para novas sementes. Não um simples recomeçar, mas um constante evoluir. Difícil e doloroso, mas também valioso. E quando os dias ensolarados voltarem, terão um novo valor e significado para você mesmo. E mesmo os outros dias nublados ou chuvosos. Pois onde não cai água vira deserto, mas por ironia ou não até lá, algum dia, chove.
Grande abraço e até a próxima!
Dr. D.
Imagem: Banco de imagens do Google.
Escrito por Danilo às 16h07
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Check In and Out

O beijo tornou-se algo sem sentido e fácil. Podemos ansiar para falar com a pessoa objeto de nosso desejo, passar uma boa cantada e, se der certo, beija-la. Analisamos rapidamente, num computador de altíssima velocidade, ou seja, pré-julgamos a pessoa, damos uma desculpa esfarrapa (ou não) e partimos para outra. Assim, fácil e frívolo mesmo. Estamos disponíveis no mercado e não negociamos certos preceitos ou princípios que temos conosco. Isso mesmo. Mesmo na paquera certas coisas são inegociáveis.
O fato da pessoa fumar. A maneira como ela se veste. O emprego. O salário. Se ela mora ainda com os pais mesmo tendo 30 anos de idade. Tudo hoje em dia parece uma observação rápida para analisar se o outro se encaixa no nosso perfil. Para ver se o outro merece ou pode estar ao nosso lado. Isso antes mesmo de uma hora de conversa. Como um check list. Nem mesmo pode ser um check in, pois isso significaria que a pessoa estará algumas horas (no caso da aviação) ou alguns dias (hotel), em nossa companhia.
Se bem que no caso de um sexo sem compromisso, que dura duas horas (momento de motel) cabe bem a analogia com a aviação. Fazemos a pré-análise para ver se outro tem dinheiro para pagar o valor que cobramos. Não o valor monetário em si, falo de beleza, altura, profissão e etc. Fazemos esse rápido check in, anexado um contrato que não garantimos a plena satisfação e que o horário e o trecho podem ser alterados sem prévia comunicação ou reembolso. E o check out é automático, basta pegar a bagagem na esteira e sair pela porta que já está implícito a conclusão/extinção do contrato.
Até aí tudo bem. Fazer sexo é bom e eu gosto, não estou apenas falando de mim, estou utilizando um jargão bem popular. O que realmente não consigo entender é o fato de entre essas duas pessoas não ficar nem mesmo a possibilidade de se olharem ou cumprimentarem futuramente. Fica uma coisa um tanto quanto esquisita. A outra fica no mundo das “pessoas com quem já trepei”, e nem mesmo no mundo dos “conhecidos”, aquelas pessoas por quem passamos e num rápido lance de olhar, ainda que por educação, desejamos bom dia e, quando muito, perguntamos “como vai?” ou “tudo bem?”.
Lutamos muito pelo que queremos e o que queremos está sempre um passo á nossa frente. É o desejo de consumo sempre desenfreado e precisamos, a todo custo, lutar para sobreviver nessa selva predadora. Que vença o mais forte. Ou você é predador ou presa. Escolha de que lado você quer ficar e lute para sobreviver mais um dia. Para ficar com alguém, você precisa estar á altura dela. Consumir igual a ela. Mentir igual a ela. Por que nessa vida descobrimos que infelizmente a maioria assim prefere. A verdade, ou seja, seu interior, é vazio ou desconfortável demais.
Talvez a única opção que nos reste é escolher a melhor cia aérea, ter a consciência que não seremos o único passageiro, relaxar e gozar como bem disse nossa ministra, aproveitar o vôo, esperar que sejamos ao menos bem tratados e, por fim, rezar para que não haja nenhuma turbulência. Chegar ao nosso destino final, pegar a nossa bagagem e ir para casa. Comentar com alguns amigos como foi o vôo, qual o tamanho do “leme” do outro, quer dizer, do avião que pegamos e seguir a vida. Sujeitos, como qualquer um, ao apagão aéreo e, quando isso acontecer, utilizar outro bom jargão popular: isso nunca me aconteceu antes!
Até a próxima!
Dr. D.
Foto: Banco de imagens do Google.
Escrito por Danilo às 15h17
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PONTO DE VISTA

Um é um ponto, perdido ou não, consciente ou não de si mesmo no universo. Dois é formação da reta, do caminho. Uma unidade maior e com um sentido. Para onde, somente os pontos formadores podem dizer. Dois na numerologia é o desdobramento, o reflexo, a natureza. Sozinhos, somos um ponto. Acompanhados, a reta, o caminho. Onde podemos experimentar sensações que só, seriam impossíveis.
Se quando dois pontos juntos formam uma reta e esta nos dá um sentido, um caminho, podemos dizer que é o caminho da evolução. Destino infalível do nosso futuro quer demoremos ou não. As pessoas hoje em dia culpam-se demais pelos seus erros, pelos seus fracassos. Esquece, que estes existem para que possamos aprender. Onde iremos chegar depende apenas do nosso amor, da nossa dedicação.
Qual foi o matemático ou filosofo que nunca perdeu uma noite de sono tentando resolver as equações da sua vida? Errar faz parte. Almejamos uma meta, o que é muito bom, para nossa vida. Mas ficamos tão vidrados nela que esquecemos de olhar o caminho. As pessoas, a mudança da paisagem e das estações que nos rodeia. Ter uma meta é fundamental. Olhar em volta e observar os mais variados seres durante esse caminho, faz parte também da jornada.
A chegada será mais valiosa com a bagagem que conseguimos carregar. A bagagem intelectual e, por que não, moral. Experimentar esse caminho a dois é melhor. Nascemos e vivemos acompanhados. Quando sozinhos nos sentimos ponto e talvez por isso procuramos tanto um outro ponto para nos dar um sentido diferente para nossas vidas.
Uns procuram com afinco, outros são mais reservados. Outros, ainda, preferem formar um pontilhado que chamamos de amigos. Outros são rebeldes e viram asterisco. Mas o que realmente importa é que esse ponto chamado você, é um ser humano, dotado de grandes virtudes e capacidades. Destinado a um grande caminho chamado vida. Mas lembre-se que até naquela reta, ás vezes, é preciso colocar um ponto final.
Grande abraço e até a próxima!
Danilo
Foto: banco de imagens do google.
Escrito por Danilo às 14h37
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Desapegue-se

As vezes é preciso abrir mão daquilo que queremos. Temos apenas duas mãos mas sempre estamos prontos para querer segurar mais coisas do que podemos realmente carregar. Desapegar de coisas ou pessoas e, por que não, fatos, para que possamos abraçar coisas, pessoas e/ou fatos novos é uma grande dificuldade do ser humano. É mais fácil segurar aquilo que já possuímos e sonhar com o que não temos do que realmente lutar pelo nosso desejo. Pela nossa vontade.
Ocorre que muitas vezes trilhamos um caminho que não é nosso. Desejamos o outro. Vemos apenas o outro. O cargo do outro, o carro do outro, o(a) namorado(a) do(a) outro(a). Enfim. Entramos numa espiral sem saída e nos perdemos. Nos sentamos um dia em nosso sofá e entendemos o que quer dizer “ficar sentado nesse apartamento, com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar”. Ou algo parecido. Essa do Raul Seixas. Onde estão nossos sonhos, nossos desejos, nossas frustrações, o nosso amor?
Choramos por aquilo que sentimos falta, pelo que gostaríamos de ter, pelo que tivemos e não temos mais. Entramos na escuridão da noite do nosso ser. Mas é preciso ter esperança sempre, pois depois da noite vem o alvorecer e o dia. E mesmo na noite temos a lua e as estrelas. Através delas é que os navegadores inventaram o Astrolábio, instrumento que media a distância das estrelas ao mar e com isso tinham uma noção quase exata de onde estavam e onde queriam chegar. Era o GPS da época.
E como esses navegadores, leitor, precisamos atravessar os mares do desconhecido, calmos ou bravios. Precisamos saber sempre onde estamos e para onde queremos ir, pois como bem diz o ditado: não há ventos favoráveis para os que não sabem para onde velejar! Persistência e coragem. Ocorreu-me agora que assisti dias atrás de um brasileiro de Goiás que criou o álcool da batata-doce. Combustível altamente ecológico. Ele demorou dez anos para conseguir. Dez anos.
Já pensou quantas vezes ele deve ter ouvido que não iria dar certo? Que era desperdício de tempo? Mas ainda bem que existem pessoas que tem sonhos. E coragem e determinação para tentar. Pois pior do que não seguir seu sonho é destruir os de outra pessoa. Pois é mais fácil ficar falando e sonhar agarrado ás coisas, fatos e pessoas que estamos acostumados, do que desapegarmos do nosso excesso de bagagem e alçar vôos mais altos.
Sonhe muito, leitor! E lembre-se que fazer o bem só faz bem!
Abraço
Escrito por Danilo às 09h11
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